Mindfulness o que é afinal?

07-08-2015 14:41

Mindfulness o que é, afinal?

Está muito na moda e o coaching apropria-se desta ferramenta ou técnica ancestral oriunda do Oriente, eximiamente praticada pelos Hindus, como se algo de novo se trata-se e a eles lhes pertencesse. Mas não amigos! Há quem proporcione Masterclass gratuitas (que não passam de workshops com muita parra e pouca uva, apenas com um nome pomposo que só lhe conhecia ligado à Música), com intuito comercial de vender o curso de Mindfulness e que pouco contribuem para o nosso crescimento como seres holísticos, em abono da verdade (isto relativamente a Masterclass, o curso não conheço o conteúdo programático e a pedagogia, como tal esta excluido da minha apreciação).

Deixando as considerações pessoais enquanto ser espiritual, holístico e blogger partilho convosco alguns dos meus apontamentos e espero sinceramente que ajudem alguém que busque leveza, bem estar e qualidade de vida, em meio desta vivência terrena tão atribulada que nós todos vivemos HOJE!

"O que é, afinal?

O mindfulness é a capacidade de cultivarmos a atenção e a consciência plena no momento presente, mas muito facilmente a nossa mente se enreda em pensamentos do passado ou do futuro.

O mindfulness ensina-nos a focar a atenção no momento presente, de forma a estabelecermos uma relação direta com a experiência que se está a desenrolar, permitindo-nos percepcionar e viver o agora com mais clareza e profundidade. Esta presença no agora é permeada por uma atividade interna de aceitação, sem critica nem julgamento. Quando pensamos demasiado no passado ou no futuro, isso leva-nos a desempenhar várias tarefas ao longo do dia em piloto automático, sem realmente prestarmos atenção ao que estamos a fazer. O mindfulness é uma forma de cultivarmos uma maior capacidade de gerir os nossos recursos internos face às exigências com que nos deparamos diariamente na nossa vida, a nivel pessoal, familiar, profissional, social, económico, etc." Isto segundo Carla Martins, psicóloga, neuropsicóloga, clínica e fundadora do Ser Integral - Centro Português do Mindfulness.

Como é que se consegue?

Segundo a especialista, há duas formas de conseguir um estado de mindfulness. Nos protocolos psicoeducacionais existentes, como o Programa Mindfulness para a  as formais e as informais. Carla Martins explica a diferença: "As práticas formais são aqelas em que os alunos são convidados a criar tempo e espaço todos os dias para fazerem uma prática de meditação. Convidam-nos a focar a atenção na respiração, nas sensações do corpo e nos pensamentos ou emoções como forma de treinar a nossa atenção no momento presente. Isso vai ajudar a um desenvolvimento emocional que permite a utilização otimizada dos recursos internos para manter o equilíbrio emocional e físico perante os desafios do dia a dia. Já as práticas informais são aquelas em que aprendemos e cultivamos o foco no momento presente em atividades do dia a dia, como, por exemplo, ler, fazer exercício físico, quando estamos a interagir com os filhos, no local de trabalho enquanto terminamos um relatório, respondemos a um e-mail, reunimos com um colega ou atendemos uma chamada telefónica, etc. Durante estas atividades, é-nos ensinado a prestar atenção à experiência vivida, focando-nos nos cinco sentidos, assim como nas nossas emoções, nos pensamentos e nas sensações no corpo." Qualquer delas, quando praticada com regularidade, traz benefícios para o dia a dia: "Estas duas formas de incluir o mindfulness no dia a dia levam a alterações graduais ao nível do bem-estar físico e emocional, as quais são acompanhadas por alterações a nível neural. Sabe-se atualmente que, após oito semanas de prática regular de mindfulness, surgem alterações nas áreas do cérebro associadas à atenção, à resiliência, à regulação emocional, à experiência sensorial, à aprendizagem, à cognição e à memória, à empatia e à compaixão, numa estrutura ( amígdala) que está relacionada com o stress, com a ansiedade e com o medo, e numa outra associada à regulação da produção de neurotransmissores." No fundo, a prática de mindfulness trará bem-estar a nível geral.

(Revista Luxwoman, Agosto 2015 - pag. 48)

"Prática PARE

P - Pare tudo o que está a fazer;

A - Preste Atenção à sua respiração;

R - Repare e note de que forma a situação de stress se manifesta no seu corpo e na sua mente, observando os pensamentos presentes e também as emoções que estão a surgir de momento a momento.

E - Escolha respirar e observar o momento presente, permitindo que a espiral de pensamentos e emoções acalme.

Respire com calma, sem pressa.

"(...) Se possível, pelo menos uma vez por semana faça uma refeição sozinho(a), convidando-se a focar-se com atenção plena no ato de comer."

(Revista Luxwoman, Agosto 2015 - pag. 50)

Conceitos subjacentes ao Mindfulness:

Vipassana

Googalitando surge esta definição:

A Vipassana significa ver as coisas tal como são. É uma das técnicas de meditação mais antigas da Índia.

É o processo da auto-purificação mediante a auto-observação.

Vipashiana significa "ver as coisas tal como elas são",

Vi - é um acréscimo, em espanhol é um aumentativo

Pashia - "ver, contemplar, compreender corretamente"

Equanimidade

Googalitando surge-me a definição de Thich Nhat Hanh de 20-3-2008

Equanimidade não significa indiferença. Com equanimidade vemos igualmente aqueles que amamos e aqueles que odiamos e oferecemos o melhor que tivermos para fazer ambos felizes. Aceitamos tanto flores quanto lixo, sem apego nem aversão. Tratamos ambos com respeito.

Equanimidade significa deixar ir, não significa abandonar e, sim, soltar, deixar existir. O abandono causa sofrimento. Quando não nos apegamos, somos capazes de soltar.

DESAPEGO

A equanimidade é um estado mental sereno ou uma tendência disposicional para todas as experiências ou objetos, independentemente da sua valência afetiva (agradável, desagradável ou neutra) ou fonte. Aqui usa-se o termo sereno na sua definição comum, como um estado calmo, estável e tranquilo.

A equanimidade envolve também um nível de imparcialidade (ou seja, não sendo parcial ou tendencioso), de tal forma que se pode experimentar pensamentos ou emoções desagradáveis sem reprimi-los, negá-los, julgá-los ou ter aversão. Da mesma forma, num estado equânime pode-se ter experiências agradáveis ou recompensadoras sem se estar superanimado ou tentar prolongar essas experiências ou tornar-se viciado nelas.

(...) A forma ideal de equanimidade abraçada pelo Budismo também inclui ter uma atitude igual para todos os seres, sem os limites que temos o hábito de desenhar entre amigos, estranhos, e aqueles que consideramos "pessoas difíceis".

Noutras palavras, "considerar todos os seres como iguais no seu direito a ter felicidade e a evitar o sofrimento (Tsering, 2006) e "tratá-los sem discriminação, sem preferências e preconceitos" (BODHI, 2000).

Tradução Budista para Equanimidade: UPEKSHA (sânscrito); UPEKKHA (Pali)

Olho, Ver, Contemplação ou Observação sem interferências

Budismo THERAVADA

- sentimento neutro;

- valência neutra;

Este estado de equanimidade manifesta-se como "uma reação equilibrada na alegria e na tristeza e que protege contra a agitação emocional" (BODHI, 2005).

Traduz uma serenidade face a todo o tipo de experiência independentemente do prazer ou da dor estejam ou não presentes. (THANISSARO BHIKKNU, 1996).

É um estado mental em que não pode ser influenciado por preconceitos e preferências (BODHI, 2000)

Ex. Meditação Tibetana com uva passa

Diferente é a forma como me relaciono com ela

- Um dia não tem importância

- e no outro tem toda a a importância.

Segundo Mia Öven (sueca) na sua Masterclass gratuita partilha o seguinte:

"Mindfulness significa:

- Atenção plena 

- Consciência plena

- Presença consciente (tradução do sueco)

- Observação do momento presente sem propósitos e sem julgamentos

- Observação compassiva

Ser observador da nossa experiência com muita compaixão.

Manter os 5 sentidos ativos e conscientes (ver, ouvir, cheirar, sentir e saborear com o palato).

O Mindfulness é uma ferramenta e traduz uma filosofia de vida e representa o modo como nos relacionamos com todas as coisas (tudo e todos) na nossa vida diariamente.

O Mindfulness convida-nos a voltar para o momento presente com atenção plena e a sentirmos tudo com mais intensidade. Muda-nos de dentro para fora, assim como o modo como nos relacionamos com os outros e com todas as coisas.

As sete atitudes do Mindfulness são:

1 - Não julgamento;

2 - Paciência;

3 - Mente de principiante;

4 - Confiança;

5 - Não Esforço;

6 - Aceitação (Estar em paz com a vida e com aquilo que é; Liberdade de ver as coisas como elas são e ajo com mais clareza)

7 - Deixar ir e deixar estar

(Para quem seguir esta Coucher o curso compõe-se destes 7 módulos, partilho o conhecimento divulgado nessa Masterclass porque o saber não ocupa lugar, embora não concordando com a forma de divulgação deixo ao livre-arbitrio e coração de quem lê este texto se deve ou não considerar este aprendizado e qual o mestre a seguir, sim porque como diz o ditado chinês: O MESTRE ATÉ NOS ABRE A PORTA, mas a prática está dentro de cada um de nós). E isto vale o que vale :).

À título de conclusão, Mia öven diz-nos:

"Tudo vem fica um pouco e depois vai"

e

"Não lutar contra aquilo que é!"

"ACEITAÇÃO versus RESISTÊNCIA

Blissfulness versus Sofrimento"

Por ora ficamos por aqui ...

Boa aprendizagem e prática e Não acreditem naquilo que digo .... EXPERIMENTEM sintam por vós mesmos(este é o meu convite)


  

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